Competitividade infantil, positiva ou negativa?

Incentivar a competitividade entre as crianças é positivo ou negativo? Ajuda ou atrapalha? É saudável ou tóxico?
A resposta é que, como entre os adultos, ela não pode se tornar uma obsessão. Crianças precisam ser incentivadas a desenvolver a capacidade de superar dificuldades, e às suas próprias limitações. Sempre de forma saudável. Se fizerem isso, poderão aprender com os próprios erros, sabendo que não serão boas em tudo, e o tempo todo.
Há autores respeitados, entre eles Alfie Kohn, autor e palestrante americano, que afirma que a competitividade é tóxica e tem muitos aspectos negativos. “A ausência de competição parece ser um pré-requisito para a excelência na maioria dos empreendimentos, ao contrário da sabedoria tradicional”, enfatiza o autor.
Outros acadêmicos, ao contrário, enxergam a competição como necessária, por melhorar, sob alguns aspectos, o desempenho e a felicidade. Isso porque as pessoas sentem-se melhores quando tentam vencer, o que lhes dá confiança. Dizem que o resultado é diferente entre tentar vencer, e tentar não perder.
Se umas se chateiam em não ganhar todos os jogos, vencer todas as disputas ou tirar dez nas provas, os pais precisam ensinar que é preciso trabalhar pela excelência, buscar fazer o melhor, mas que ninguém ganha em 100% das vezes em que entra numa disputa.
Se a criança não aceita perder, é ansiosa e esse sentimento pode acarretar muitos outros problemas e frustrações. Entre eles o estresse, a baixa autoestima, dificuldade de lidar com perdas e frustrações e uma busca desenfreada pela perfeição. Se isso é tóxico, como diria Alfie Kohn, entre adultos, imagina o estrago que faz na vida de uma criança.
Mas também há vantagens, segundo os especialistas. Se a criança aprender que os erros são importantes no processo de superação, e que ela deve comparar-se consigo, e não com os outros, porque sempre haverá alguém melhor, já terá sido um passo importante.
Os psicólogos dizem que a competição às vezes melhora o desempenho, mas que, em muitos casos, há também a chance de que isso não aconteça. Eu digo então, com muita tranquilidade, que as brincadeiras de criança não podem se transformar em disputa irracional de poder.
Impor limites entre a competitividade saudável, e a predatória e tóxica, cabe aos pais. Então, se posso fazer um pedido a eles, é que não transfiram sua sede de poder para os filhos. Deixe que façam suas próprias escolhas, sob orientação, vigilância e cuidado constante.
Acredito de verdade que se tem uma coisa que podem fazer, e que vai preparar seus filhos para viverem em sociedade e serem felizes, é ensiná-los que a vida é feita de ganhos e perdas.

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