Carnaval na escola: veja como abordar o tema de forma criativa!

Ainda dá tempo de organizar alguma atividade

“Ó abre alas

Que eu quero passar

Ó abre alas

Que eu quero passar

Eu sou da Lira

Não posso negar

Eu sou da Lira

Não posso negar”

 

A marcha-rancho “Ó Abre Alas”, composta em 1899 pela musicista brasileira Chiquinha Gonzaga, é um ponto de partida interessante para iniciar os trabalhos sobre Carnaval nas escolas. Através deste clássico musical é possível programar uma atividade para contar a história da artista, falar sobre ritmos do Carnaval e sobre a sociedade da época em que a composição, a primeira marchinha de carnaval da história, foi escrita.

 

Concurso de marchinhas 

Após envolver os alunos neste primeiro momento, uma segunda possibilidade é a organização de um concurso de marchinhas. Se você ainda não programou nenhuma atividade na sua escola, ainda dá tempo. Deixe a sexta-feira (1/03) só para a comemoração  do Carnaval. O concurso será mais adequado para os alunos mais velhos, do ensino fundamental II.

No início da aula, a professora pode abrir uma roda de conversa para contar a história das marchinhas e depois organizar o concurso, de forma que o resultado saia no fim da aula, com direito a apresentação. Com toda certeza, a atividade irá envolver e divertir a garotada, além de estimular a criatividade!

 

Máscaras, por que não?

Para os pequenos, a tradicional oficina de máscaras não pode ser descartada. Mas é possível usar a criatividade e ir além. Peça aos alunos que levem de casa lantejoulas, botões velhos, canudos e pedaços de papelão para criar os objetos com material reciclado. Depois da oficina, que tal organizar um animado baile de máscaras? Os pequenos irão adorar!

 

Oficinas 

Há outras opções de oficinas interessantes, que podem ser realizadas tanto nas turmas da educação infantil como no ensino fundamental. Na de ritmos, por exemplo, também é possível confeccionar os instrumentos com matérias recicláveis. É um momento bom para falar não apenas sobre o samba, mas de outros ritmos brasileiros tão carnavalescos quanto, como maracatu, afoxé, coco, frevo, etc.

Outra ideia para garantir o sucesso da atividade é convidar um ritmista de escola de samba para fazer uma aula experimental.

 

Estímulo à pesquisa 

O professor pode incentivar os alunos a pesquisarem as diferentes manifestações pelos estados brasileiros durante o carnaval. Anote algumas o informações para o ponto de partida:

  • Carnaval carioca

O Rio de Janeiro é uma das cidades mais famosas pela sua festa de Carnaval. O município fica tomado por blocos, mas o grande evento é o desfile das Escolas de samba, no Sambódromo. Estimule os alunos a descobrirem outras curiosidades da comemoração na Cidade Maravilhosa.

 

  • Carnaval baiano 

Peça aos alunos para pesquisarem as características históricas e musicais do evento que já foi eleito o maior Carnaval de rua do mundo.

 

  • Carnaval de Olinda 

Mostre que o Carnaval de Pernambuco vai além dos bonecos gigantes de Olinda.

 

  • Maracatu 

Terra do Frevo, Pernambuco tem, nos últimos anos, possibilitado ao folião que vai ao Estado conhecer as diversas manifestações culturais que dão o colorido à festa de Carnaval. Um deles é o maracatu, que pode ser de baque virado (nação) ou de baque solto (rural), além das agremiações que desfilam ao ritmo do frevo.

 

  • São Luís do Maranhão 

Você sabia que o boneco, famoso no Carnaval de São Luís, tem sua origem na Commedia dell’arte, gênero criado na Itália no século 15? A partir desta curiosidade, estimule os alunos a buscarem mais informação sobre essa festa popular. Uma sugestão é fazer esse trabalho durante a aula de informática, já que os alunos poderão fazer pesquisas na internet.

 

  • Consciência e prevenção 

Para turmas mais velhas, que tal falar de temas da atualidade? Faça rodas de conversa e debates sobre o uso abusivo de drogas, a importância dos preservativos, assédio sexual e acidentes no trânsito.

 

  • Sessão de cinema 

Organize para o último dia de aula antes da festa uma sessão de cinema com filmes temáticos, seguida de debate sobre o contexto histórico e social retratado no filme escolhido. Veja algumas ideias:

 

* Carnaval Atlântida, 1952 (José Carlos Burle e Carlos Manga)

* Orfeu Negro, 1959 (Marcel Camus)

* Orfeu, 1999 (Cacá Diegues)

* O Samba Que Mora Em Mim, 2010 (Georgia Guerra-Peixe)

* Damas do Samba, 2013 (Susanna Lira)

* Trinta, 2014 (Paulo Machline)

* Sou Carnaval de São Salvador, 2019 (Georgia Guerra-Peixe)

 

  • Sambas-enredo 

Outra maneira de trabalhar o Carnaval é analisar as letras de sambas-enredo que falam sobre a história do Brasil. O sambista Martinho da Vila tem um DVD clássico com temas que vão desde a chegada de Dom João VI ao Brasil, passando pela Independência do país, período do ouro, até a abolição da escravatura ou história de Getúlio Vargas. Veja neste link: https://m.youtube.com/watch?v=BndC299Ouvc

 

Para embasar sua aula sobre Carnaval, veja mais algumas informações e curiosidades:

 

Origem da festa 

O carnaval é a festa popular mais celebrada no Brasil e que, ao longo do tempo, tornou-se elemento da cultura nacional. Porém, o carnaval não é uma invenção brasileira. A história do carnaval remonta à antiguidade, tanto na Mesopotâmia quanto na Grécia e em Roma. De origem européia, ao longo dos anos foi se espalhando para a América do Norte, Ásia, África e até Oceania, juntando à celebração, características tradicionais de cada um desses povos. 

A palavra carnaval é originária do latim, carnis levale, cujo significado é retirar a carne. O significado está relacionado com o jejum que deveria ser realizado durante a quaresma e também com o controle dos prazeres mundanos. Isso demonstra uma tentativa da Igreja Católica de enquadrar uma festa pagã.

Na antiga Babilônia, duas festas possivelmente originaram o que conhecemos como carnaval. As Saceias eram uma festa em que um prisioneiro assumia durante alguns dias a figura do rei, vestindo-se como ele, alimentando-se da mesma forma e dormindo com suas esposas. Ao final, o prisioneiro era chicoteado e depois enforcado ou empalado.

O outro rito era realizado pelo rei nos dias que antecediam o equinócio da primavera, período de comemoração do ano novo na região. O ritual ocorria no templo de Marduk, um dos primeiros deuses mesopotâmicos, onde o rei perdia seus emblemas de poder e era surrado na frente da estátua de Marduk. Essa humilhação servia para demonstrar a submissão do rei à divindade. Em seguida, ele novamente assumia o trono.

O que havia de comum nas duas festas e que está ligado ao carnaval era o caráter de subversão de papéis sociais: a transformação temporária do prisioneiro em rei e a humilhação do rei frente ao deus. Possivelmente a subversão de papeis sociais no carnaval, como os homens vestirem-se de mulheres e vice-versa, pode encontrar suas origens nessa tradição mesopotâmica.

As associações entre o carnaval e as orgias podem ainda se relacionar às festas de origem greco-romana, como os bacanais (festas dionisíacas, para os gregos). Seriam festas dedicadas ao deus do vinho, Baco (ou Dionísio, para os gregos), marcadas pela embriaguez e pela entrega aos prazeres da carne.

Mas essas festas eram pagãs. Com o fortalecimento de seu poder, a Igreja não as via com bons olhos. A Igreja Católica buscou, então, enquadrar tais comemorações. A partir do século VIII, com a criação da quaresma, tais festas passaram a ser realizadas nos dias anteriores ao período religioso. A Igreja pretendia, dessa forma, manter uma data para as pessoas cometerem seus excessos, antes do período da severidade religiosa.

 

Carnaval no Brasil

A história do carnaval no Brasil iniciou-se no período colonial. Uma das primeiras manifestações carnavalescas foi o entrudo, uma festa de origem portuguesa que na colônia era praticada pelos escravos. Depois surgiram os cordões e ranchos, as festas de salão, os corsos e as escolas de samba. Afoxés, frevos e maracatus também passaram a fazer parte da tradição cultural carnavalesca brasileira. Marchinhas, sambas e outros gêneros musicais também foram incorporados à maior manifestação cultural do Brasil.

 

Veja agora outros países que comemoram o carnaval:

 

  • Itália

Talvez o mais tradicional Carnaval do planeta seja o de Veneza, na Itália. A festa dura aproximadamente duas semanas. Os desfiles e a música nas ruas criam uma estética especial. Concertos, óperas, jantares e tradicionais bailes a fantasia e de máscaras fazem parte da cultura local.

 

  • França

Apesar de existir na França desde a Idade Média, a festa mais conhecida do país, hoje, está em Nice. O evento dura mais de 15 dias, e oferece grandiosos espetáculos. Nas ruas é possível acompanhar desfiles com carros alegóricos, bonecos gigantes, músicos e artistas circenses. O evento mais aguardado da cerimônia é a batalha das flores, com milhares de espécies de várias formas e tamanhos sendo atiradas pelos ares.

 

  • Bélgica

Outra sensação do carnaval é Binche, na Bélgica. O evento, que dura 3 dias, é a festa mais importante da cidade e chama a atenção pelas roupas originais e clássicas, usadas há décadas. As músicas executadas nas paradas lembram bastante as antigas marchinhas brasileiras. Assim como aqui no Brasil, lá também existe o pré-carnaval, onde ocorrem os ensaios de bateria, o bailes das crianças, bailes da juventude socialista, liberal e católica.

 

  • EUA

A festa de carnaval em New Orleans, nos EUA, é conhecida como Mardi Gras. Diferentemente do Brasil, o carnaval em New Orleans conta, principalmente com pequenas bandas de músicos ao invés de grandes estruturas de trios elétricos ou escolas de samba.

 

  • México

Mazatlan, no México, é o palco de uma das maiores festas de carnaval do mundo. Parecida com a brasileira, as pessoas se fantasiam livremente, fazendo – inclusive – paródias de políticos ou pessoas famosas. Lá também fazem parte do evento tradicionais bailes de salão, coroação de rainhas, desfiles de reis e apresentações de bandas.

 

  • Reino Unido

No período do carnaval brasileiro, acontece, no Reino Unido, o Shroveitide (Shrive que significa confessar ‘pecados’), que é a comemoração do carnaval britânico.

 

  • Alemanha 

Na Alemanha, a celebração do carnaval acontece tanto nos grandes centros urbanos quanto na Floresta Negra e nos Alpes. A festa mais tradicional é a da cidade de Bonn, que organiza desfiles com pessoas fantasiadas; o “diabo” fica solto, por esse motivo as pessoas usam máscaras a fim de esconder seus rostos.

 

  • Equador 

No Equador, o carnaval dura duas semanas e é comemorado com balões de água, flores e frutas. As pessoas festejam indo para as praias jogar balões de água em amigos e também em pessoas desconhecidas. Acontecem desfiles com carros alegóricos feitos por todos os tipos de flores e frutas.

 

  • Suíça

Na Suíça, a comemoração que acontece na cidade de Basileia é considerada a maior festa protestante do mundo. Tudo começa com o ritual “Morgestraich”, às 4h da manhã da segunda-feira que antecede a Quarta-Feira de Cinzas.

 

  • Canadá 

Conhecido como o maior carnaval de inverno do mundo, a folia na cidade de Quebec, dura três semanas. Durante a festa ocorrem concertos musicais, esculturas de neve, paradas noturnas e atividades esportivas. Mesmo com 10 graus negativos, o carnaval do Canadá atrai milhares de pessoas do mundo.

 

  • Colômbia 

Na cidade de Bogotá acontece uma série de eventos típicos e espetáculos. São apresentados danças e ritmos folclóricos, por exemplo, cúmbia, pito, gaita, salsa, fandango, mapalé e merecumbé. A festa, que foi considerada pela Unesco como “Obra Mestra do Patrimônio Oral e Intangível da Humanidade”, tem o clímax com a Batalha das Flores.

 

Fontes: Brasil Escola, Info Escola, Nova Escola, Samba Carioca, Carnaval Carioca e Terra.com

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *