A importância da socialização das crianças com Síndrome de Down nas escolas

A inclusão da criança portadora de trissomia do cromossomo 21, também conhecida como síndrome de Down, deve começar na família e se estender a escola. É muito importante enxergar primeiro a criança antes de ver a síndrome.

A falta de conhecimento leva muitas pessoas ainda hoje a pensarem que Down é uma doença, o que não é verdade, Síndrome de Down é mais uma condição genética, uma deficiência intelectual mais frequente, acontecendo em 1 a cada nascimento por ano no Brasil, ocasionada pela presença de um cromossomo a mais. Ao invés dos 46 usuais, uma pessoa com Síndrome de Down tem 47.

 

Síndrome de Down e Aprendizagem

Toda criança com Síndrome de Down terá algum grau de dificuldade para aprender, de leve a severo. O trabalho colaborativo entre os diferentes atores (pais, diretores e professores) desempenham um papel central no processo de educação inclusiva. Essas crianças precisam de estratégias especiais e um ambiente de aprendizagem positivo para se desenvolverem e serem produtivas na escola. É necessário que o ambiente seja pensado e o material seja adequados as suas necessidades, variando de acordo com suas habilidades específicas. Para ajudá-las a aprender, os professores devem planejar alguns métodos de ensino adequados para alcançar resultados positivos.

 

Da teoria para a prática 

Rennan Bressan, professor da Escola Parque, na Zona Sul do Rio de Janeiro, conta que a sua experiência com inclusão de crianças com síndrome de Down está acontecendo esse ano. “Tenho um aluno de 6 anos, numa turma de crianças com 4/5 anos. Para mim está sendo gratificante poder participar do seu desenvolvimento e cada dia mais estar aprendendo tanto o quanto ensino. É uma experiência incrível”, disse.

Para Rennan, a escola deve estar preparada para receber essa criança. “É preciso ter todos os materiais e estruturas básicas para recebê-la. Também capacitar cada vez mais seus profissionais para estarem preparados para atuar com essas crianças e fazer com que a experiência seja mais rica e proveitosa”, acrescentou.

Embora a Síndrome de Down tenha causas genéticas, fatores ambientais têm importância fundamental no desenvolvimento e progresso, assim como acontece com crianças sem a síndrome. O professor garante que todos ganham com a experiência da inclusão. “As crianças com síndrome de Down são muito carinhosas. A medida que todos vão percebendo isso, o afeto é recíproco. E também tratar o assunto com a maior naturalidade possível, para fazê-los compreender que essas crianças são apenas diferentes delas, nem melhor e nem pior. Afinal, ser diferente também é ser normal”, afirma.

 

Inclusão

Para a inclusão ser bem-sucedida é necessário adquirir conhecimentos básicos sobre a deficiência, mas, acima de tudo, aprender como defender e apoiar crianças com necessidades educacionais especiais.

O professor deve se esforçar para tornar sua sala de aula um lugar onde cada aluno, independentemente da idade ou do nível intelectual, se sinta inserido no grupo.

Como escreve David Blunkett “ quando todas as crianças são incluídas como parceiros iguais na comunidade escolar, os benefícios são sentidos por todos”.

 

Autoestima

Devido às diferenças faciais que esses pequenos têm, é importante que eles se sintam atraentes e orgulhosos de sua aparência. Ensiná-los a se sentir bem consigo mesmos permite que eles tenham uma atitude melhor e se sintam especiais. Toda garota quer se sentir bonita e todo garoto quer ser bonito. Certifique-se de que você e sua turma façam comentários positivos sobre suas habilidades e aparência.

 

Distrações

Crianças com Síndrome de Down têm uma capacidade de concentração mais curta e são facilmente distraídos. Além disso, a intensidade do aprendizado com apoio, especialmente quando ele se dá individualmente, é muito maior e a criança se cansa mais facilmente do que a criança que não necessita deste apoio.

Para envolver suas capacidades de aprendizado, é importante dividir a lição em partes. Elas devem ser ensinadas lentamente e fazer pausas frequentes para mantê-los focados. É importante que o professor esteja aberto à flexibilidade e mudança.

Algumas estratégias:

  • trabalhe com tarefas curtas, focalizadas e definidas;
  • desenvolva trabalho em grupo e incentive a participação ativa da criança com Síndrome de Down;
  • nunca a trate diferente, exemplo: pegando-a no colo durante algumas atividades;
  • planeja o espaço para ela sentem-se e a mantenha sempre no mesmo lugar.
  • desenvolva atividades que envolva computadores;
  • crie uma caixa de atividades. Isso é útil para as horas em que a criança terminou sua atividade antes de seus colegas, precisa mudar de tarefa ou precisa dar um tempo. Coloque uma série de atividades que o aluno gosta de fazer, incluindo livros, cartões, jogos de manipulação, etc. Isso encoraja a escolha dentro de uma situação estruturada. Deixar que outra criança participe é uma boa maneira de encorajar amizade e cooperação.

 

Prática da fala

Crianças com Síndrome de Down típicas possuem dificuldade de fala e linguagem e devem ser atendidas regularmente por fonoaudiólogos que podem sugerir atividades individualizadas para promover o desenvolvimento de sua fala e linguagem.

É importante estimulá-las a falar claramente, assim como o professor também deve falar com elas claramente. Preste atenção à palavra ou às frases que os alunos têm dificuldade em transmitir e incentive-os a tentar falar da maneira correta.

Algumas estratégias:

  • dar tempo para o processamento da linguagem e para responder;
  • escutar atentamente o que elas falam;
  • falar frente à frente e com os olhos nos olhos;
  • usar linguagem simples e familiar, com frases curtas e enxutas;
  • checar o entendimento – pedir para a criança repetir instruções dadas.
  • evitar vocabulário ambíguo;
  • reforçar a fala com expressões faciais, gestos e sinais;
  • ensinar a ler e usar palavras impressas para ajudar a fala e a pronúncia;
  • reforçar instruções faladas com instruções impressas, usar também imagens, diagramas, símbolos e material concreto;
  • ensinar gramática com material impresso, cartões de figuras, jogos, figuras de preposições, símbolos, etc.;
  • encorajar o aluno a falar em voz alta na sala dando a ele estímulos visuais;
  • permitir que elas leiam a informação pode ser mais fácil para elas do que falar espontaneamente;
  • incentivar o uso de um diário;
  • desenvolver a linguagem através de teatro e faz-de-conta;
  • encorajar o aluno a liderar;
  • criar oportunidades onde ele possa falar com outras pessoas, por exemplo, levar mensagens, etc.;
  • Providenciar várias atividades e jogos de ouvir por pouco tempo e materiais visuais e táteis para reforçar a linguagem oral e fortalecer as habilidades auditivas.

 

Consolidação e retenção 

Alunos com Síndrome de Down geralmente levam mais tempo para aprender e consolidar coisas novas e a habilidade de aprender matemática é sempre um desafio. Portanto, é importante tornar as aulas breves e atraentes, com ênfase na numeração em contextos cotidianos, como o uso de dinheiro, por exemplo. Também é importante consolidar e reforçar a aprendizagem anterior, concentrando-se nas competências básicas e numa compreensão da linguagem matemática básica.

Algumas estratégias

  • procure trabalhar repetições adicionais;
  • ensine usando material concreto, prático e visual, sempre que possível;
  • siga o planejamento de aula mas sempre dê uma revisada para assegurar que coisas aprendidas anteriormente não ficaram esquecidas com a assimilação das novas informações;

 

Rotina 

Muitas crianças com Síndrome de Down se dão bem com rotina, estrutura e atividades focalizadas claramente. Situações informais e sem estrutura são geralmente mais difíceis para elas. Infantes portadores dessa síndrome também podem se sentir contrariados com qualquer mudança. Podem precisar de maior preparação e podem levar mais tempo para se adaptar às mudanças na sala de aula e nas transições.

Algumas estratégias

  • explique sobre a grade de horários, rotinas e regras escolares explicitamente, dando o tempo necessário para que aprenda;
  • providencie uma grade de horários visualmente atraente: use palavras, desenhos, figuras e fotos;
  • quando perceber dificuldade de assimilação do conteúdo que está explicando, arrume uma série de fotos ou figuras descrevendo as atividades;
  • estas fotos podem ser mostradas a criança antes da atividade ser começada;
  • é muito importante certificar-se de que a criança sabe qual será a próxima atividade;
  • atenha-se à rotina sempre que possível;
  • em caso de mudança, prepare a criança com antecedência e informe os pais;
  • solicite a ajuda da criança na preparação para a atividade subsequente dando-lhe uma tarefa específica.

 

A inclusão social é o principal objetivo de qualquer criança ao entrar na escola. É muito mais difícil para o portador de Síndrome de Down progredir nas áreas cognitivas até que ele seja capaz de se comportar e interagir com as pessoas de acordo com as regras sociais apropriadas ao ambiente que a cerca. Educação inclusiva permite que isso aconteça naturalmente. Já a convivência diária com outras crianças ajuda na socialização e motiva o aprendizado. Por ter um mundo mais confuso e menos maduro social e emocionalmente, se misturar com colegas faz com que aprendam lentamente regras comportamentais apropriadas.

Enzo Gabriel, de 13 anos, tem síndrome de Down. Sua mãe, Claudia Faccioli, optou pela educação inclusiva, mas confessa que os desafios são muitos. “Tive e ainda tenho muita dificuldade pois a inclusão no Brasil é muito prematura e há muitas lacunas ainda para a melhora global do desenvolvimento na inclusão. O Enzo, além de ser portador da síndrome de Down, ainda possui o TOD (transtorno opositor desafiador), o que quase sempre atrapalha no desenvolvimento e na inclusão”, ressalta.

Ela conta que Enzo apresenta um desenvolvimento cognitivo muito bom e socialmente é espontâneo e cativa a todos: “Apesar disso, sempre preciso do apoio de terapias. Ele já consegue escrever algumas palavras, mas necessita de reforço escolar, em casa, duas vezes por semana com a psicopedagoga. E uma vez por semana com a psicóloga. Também precisa exercitar a psicomotricidade. Matamos alguns leões por dia, mas com fé e determinação conseguiremos chegar lá, não tenho dúvidas disso”, afirma emocionada.

 

Como agir em sala de aula 

Como professor, assegure-se de que as crianças com deficiência tenham um lugar real em sua sala de aula. Preste atenção ao comportamento do seu aluno e o seu dever para garantir o sucesso do seu trabalho. Sempre tenha expectativas comportamentais elevadas para a criança com Síndrome de Down, assim como para qualquer criança. Ofereça oportunidades de interagir, de desenvolver amizades com os colegas, ensinando-os a revezar e compartilhar.

E como as escolas brasileiras estão lidando com a questão da inclusão? O que você professor tem feito para incluir alunos com Síndrome de Down em suas escolas? Deixe aqui seu comentário. 

 

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