Psicopatia na infância

Segundo a médica psiquiatra Ana Beatriz B. Silva, autora do livroMentes PerigosasO Psicopata Mora ao Lado” (Fontanar, 2008), diversos casos ao longo da história comprovam que a famosa crença de que criança não conhece maldade é falsa.

Os infantes podem ser muito diferentes daqueles seres angelicais que costumamos mentalizar. Basta criá-los num ambiente cheio de abusos, violência, desequilíbrio familiar e estaremos integrando na sociedade, indivíduos egocêntricos, manipuladores, superficiais e encantadores, quando lhes convém.

Ligue o sinal de alerta: Crianças mentirosas, cruéis com coleguinhas e irmãos, com baixíssima tolerância à frustração, isento de remorso e culpa, desorganizadas e desprovidas de constrangimentos, quando pegos mentindo ou em flagrante delito, e se essas características ocorrerem de maneira repetitiva e persistente, é possível que tenhamTranstorno de Condutae sejam candidatos à psicopatia quando tornarem-se adultos. Mas a boa notícia é que muitas vezes eles podem ser ajudados.

A psicopatia é um transtorno da personalidade e não uma fase de alteração comportamental momentânea. Busque ajuda profissional. A doença não tem cura, mas é passível de tratamento e, por na grande maioria das vezes o psicopata ter um inteligência acima da média,  ele ajuda no próprio tratamento.

Podemos observar características de psicopatia desde a infância até a vida adulta. Vale ressaltar que o diagnóstico exato só pode ser firmado por especialistas no assunto”, afirma a psiquiatra Ana Beatriz.

A médica sintetiza 19 características comportamentais preocupantes em crianças e adolescentes descritas abaixo:

  • Mentiras freqüentes (às vezes o tempo todo;
  • Crueldade com animais, coleguinhas, irmãos etc.;
  • Condutas desafiadoras às figuras de autoridade (pais, professores etc.);
  • Impulsividade e irresponsabilidade;
  • Baixíssima tolerância à frustração com acessos de irritabilidade ou fúria quando são contrariados;
  • Tendência a culpar os outros por seus erros cometidos;
  • Preocupação excessiva com seus próprios interesses;
  • Insensibilidade ou frieza emocional;
  • Ausência de culpa ou remorso;
  • Falta de empatia ou preocupação pelos sentimentos alheios;
  • Falta de constrangimento ou vergonha quando pegos mentindo ou em flagrante;
  • Dificuldades em manter amizades;
  • Permanência fora de casa até tarde da noite, mesmo com a proibição dos pais. Muitas vezes podem fugir e levar dias sem aparecer em casa;
  • Faltas constantes na escola sem justificativas ou no trabalho (quando mais velhos);
  • Violação às regras sociais que se constituem em atos de vandalismo como destruição de propriedades alheias ou danos ao patrimônio público;
  • Participação em fraudes (falsificação de documentos), roubos ou assaltos;
  • Sexualidade exacerbada, muitas vezes levando outras crianças ao sexo forçado;
  • Introdução precoce no mundo das drogas ou do álcool.

E, nos casos mais graves, podem cometer homicídio.

 

Conselho

Procure conhecer bem o seu filho. A maioria dos pais não sabe como ele se comporta longe dos seus olhos. Estabeleça contato com todas as pessoas do convívio dele (professores, amigos, pais dos amigos etc.). Quanto mais precocemente você identificar o problema, maiores serão as chances de que ele se molde a um estilo de vida minimamente produtivo e socialmente aceito.

Isto é válido tanto para se certificar do diagnóstico correto, quanto para que os pais recebam orientações de como devem agir. Pois, tal transtorno apresenta diversas formas e graus de se manifestar e que somente os casos mais graves apresentam barreiras de convivência intransponíveis.

A nossa sociedade é dirigida por pessoas insanas por objectivos insanos. Acho que estamos a ser liderados por maníacos, para fins maníacos, e eu acho que estou sujeito a ser posto de lado como louco por expressar isso. Isto é o quanto isto é insano. ” ~ John Lennon (1940-1980)